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Recordar é faturar: o poder financeiro da nostalgia

25 Mar 2026 4 min read

Açúcar, tempero e tudo que há de bom. Quem cresceu nos anos 2000 lembra dessa frase e do impacto que “As Meninas Superpoderosas” causou nessa geração. O conceito pouco usual de três irmãs fofinhas que, ao mesmo tempo, salvavam a cidade com seus superpoderes enquanto lidavam com a rotina de ir pra escola e estar na cama no horário certo, fez com que Lindinha, Florzinha e Docinho se tornassem o símbolo dessa era de desenhos animados com padrões narrativos inovadores – assim como A Vaca e o Frango, O Laboratório de Dexter, Johnny Bravo e por aí vai. 

Quase 25 anos depois de fazer muito sucesso mundo afora, as Meninas voltaram a ser protagonistas, mas agora em um contexto um pouco diferente: elas foram as grandes estrelas de uma collab com Quem Disse, Berenice?, com embalagens desenvolvidas aqui na Almanaque. As vendas foram um sucesso, com produtos esgotados logo na primeira semana, o que chama a nossa atenção para uma tendência cultural e mercadológica cada vez mais evidente: a nostalgia.  

Você deve ter percebido que, nos últimos anos, alguns desenhos, músicas e símbolos que estavam enterrados nas memórias de quem cresceu nos anos 90 e 2000 vêm sendo revisitados por muitas marcas. Mas, por mais que pareça, isso tudo não é só uma onda de simples saudosismo: esse movimento da nostalgia tem influências muito significativas na sociedade atual, principalmente entre os jovens. 

De acordo com a GWI, a geração Z é a mais nostálgica de todas, com 15% preferindo uma identificação estética mais relacionada com o que veio antes do que com o que existe agora, seguida pelos millennials com 14%. Os principais motivos disso? O impacto negativo da pandemia e a ascensão das redes sociais nos últimos anos, que acabaram gerando um desejo por mais conforto e um sentimento de refúgio no que é consumido por eles hoje em dia. Então, para esse público, qualquer produto que remeta a um período onde havia mais estabilidade e segurança, é, naturalmente, algo a ser valorizado.

Muitas marcas enxergaram nesse cenário um grande potencial mercadológico, se utilizando dessa nostalgia ao mesmo tempo em que atualizam seus produtos à uma narrativa que converse com o que as pessoas buscam atualmente. Isso pode ser percebido, por exemplo, na loucura que foi o filme da Barbie, lançado em 2023, no sucesso de “Top Gun: Maverick”, lançado 36 anos depois o filme original, arrecadando US$ 1,488 bilhão, e também agora, nos produtos esgotados da collab de Quem Disse, Berenice? com “As Meninas Superpoderosas”. 

Olhando para esses exemplos, é importante perceber que a principal relevância em trazer de volta referências antigas está na forma de traduzir esses universos para a fase atual da vida de quem consome. 

Não basta, de certa forma, só resgatar pedaços de um desenho que fez sucesso há mais de 20 anos, porque quem cresceu assistindo “As Meninas Superpoderosas” não está comprando o produto hoje só pelo conceito fofinho do desenho – está comprando a possibilidade de se reconhecer ali, de expressar sua personalidade e seu estilo. Ou seja, tudo isso funciona como um forte código de identidade, com produtos que fazem com que a consumidora reviva todo o empoderamento que o desenho proporcionou lá no final dos anos 90.

Revisitar partes das nossas histórias e memórias sempre vai ser algo muito poderoso, mas o que essa collab de QDB + As Meninas Superpoderosas e todo esse movimento nostálgico nos ensina é que, além disso, é necessário entender como atualizar esses universos para que eles possam continuar relevantes em novos contextos e, principalmente, novos públicos. 

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Mariana Bridi

é Estrategista Júnior
da Almanaque.