Açúcar, tempero e tudo que há de bom. Quem cresceu nos anos 2000 lembra dessa frase e do impacto que “As Meninas Superpoderosas” causou nessa geração. O conceito pouco usual de três irmãs fofinhas que, ao mesmo tempo, salvavam a cidade com seus superpoderes enquanto lidavam com a rotina de ir pra escola e estar na cama no horário certo, fez com que Lindinha, Florzinha e Docinho se tornassem o símbolo dessa era de desenhos animados com padrões narrativos inovadores – assim como A Vaca e o Frango, O Laboratório de Dexter, Johnny Bravo e por aí vai.
Quase 25 anos depois de fazer muito sucesso mundo afora, as Meninas voltaram a ser protagonistas, mas agora em um contexto um pouco diferente: elas foram as grandes estrelas de uma collab com Quem Disse, Berenice?, com embalagens desenvolvidas aqui na Almanaque. As vendas foram um sucesso, com produtos esgotados logo na primeira semana, o que chama a nossa atenção para uma tendência cultural e mercadológica cada vez mais evidente: a nostalgia.
Você deve ter percebido que, nos últimos anos, alguns desenhos, músicas e símbolos que estavam enterrados nas memórias de quem cresceu nos anos 90 e 2000 vêm sendo revisitados por muitas marcas. Mas, por mais que pareça, isso tudo não é só uma onda de simples saudosismo: esse movimento da nostalgia tem influências muito significativas na sociedade atual, principalmente entre os jovens.

De acordo com a GWI, a geração Z é a mais nostálgica de todas, com 15% preferindo uma identificação estética mais relacionada com o que veio antes do que com o que existe agora, seguida pelos millennials com 14%. Os principais motivos disso? O impacto negativo da pandemia e a ascensão das redes sociais nos últimos anos, que acabaram gerando um desejo por mais conforto e um sentimento de refúgio no que é consumido por eles hoje em dia. Então, para esse público, qualquer produto que remeta a um período onde havia mais estabilidade e segurança, é, naturalmente, algo a ser valorizado.
Muitas marcas enxergaram nesse cenário um grande potencial mercadológico, se utilizando dessa nostalgia ao mesmo tempo em que atualizam seus produtos à uma narrativa que converse com o que as pessoas buscam atualmente. Isso pode ser percebido, por exemplo, na loucura que foi o filme da Barbie, lançado em 2023, no sucesso de “Top Gun: Maverick”, lançado 36 anos depois o filme original, arrecadando US$ 1,488 bilhão, e também agora, nos produtos esgotados da collab de Quem Disse, Berenice? com “As Meninas Superpoderosas”.

Olhando para esses exemplos, é importante perceber que a principal relevância em trazer de volta referências antigas está na forma de traduzir esses universos para a fase atual da vida de quem consome.
Não basta, de certa forma, só resgatar pedaços de um desenho que fez sucesso há mais de 20 anos, porque quem cresceu assistindo “As Meninas Superpoderosas” não está comprando o produto hoje só pelo conceito fofinho do desenho – está comprando a possibilidade de se reconhecer ali, de expressar sua personalidade e seu estilo. Ou seja, tudo isso funciona como um forte código de identidade, com produtos que fazem com que a consumidora reviva todo o empoderamento que o desenho proporcionou lá no final dos anos 90.
Revisitar partes das nossas histórias e memórias sempre vai ser algo muito poderoso, mas o que essa collab de QDB + As Meninas Superpoderosas e todo esse movimento nostálgico nos ensina é que, além disso, é necessário entender como atualizar esses universos para que eles possam continuar relevantes em novos contextos e, principalmente, novos públicos.

Você com certeza já deve ter visto ou ouvido a palavra Kawaii em algum lugar. Talvez ela gere certa estranheza em quem não conhece e, ainda que você não conheça o termo, muito provavelmente você consome essa estética, sem perceber.
Para ficar mais claro: se você gosta (ou já gostou) de personagens como Hello Kitty e Pikachu, desenhos animados, quadrinhos coloridos, brinquedos colecionáveis fofos ou até de uma paleta de cores mais vibrante, você já está abraçando a estética Kawaii.
Nascida no Japão, Kawaii significa “a possibilidade do amor” e é conhecida por ser uma estética mais bonitinha, ligada a uma variedade de coisas que se encaixam em um universo mais encantador e infantil e, justamente por isso, é associada quase sempre apenas a esse universo. Mas essa é uma visão limitada, já que, na prática, essa estética se espalhou pelo mundo e se consolidou como um fenômeno cultural e social, inspirando diferentes mercados.
Esse movimento ganhou força fora da Ásia com a ascensão da K-Culture. Alguns fenômenos como K-Pop na música, K-Drama na TV e K-Fashion na moda abriram caminho para que esse olhar do que é lúdico e colorido se tornasse cada vez mais associado com os conceitos de inovação e, principalmente, de desejo e pertencimento. Hoje em dia, as pessoas buscam mais identificação e conexão com aquilo que consomem. Não queremos mais apenas usar um produto porque ele é mais barato ou prático: queremos que ele nos faça sentir algo diferente, e todo esse apelo da fofura que a Kawaii traz se tornou um recurso de comunicação e um reflexo desse comportamento contemporâneo – por isso, não demorou muito para outros nichos começarem a perceber a força comercial que essa estética possui.
Um exemplo muito forte disso é a K-Beauty, indústria de produtos de maquiagem e cosmético sul-coreana. Pioneira nessa estética, ela se utiliza de estratégias inspiradas diretamente na Kawaii para despertar a curiosidade e se conectar com quem está consumindo os produtos, seja por meio de cheiros, texturas ou pelo visual. Com embalagens criativas, cores chamativas e símbolos mais lúdicos, a K-Beauty transforma toda a sua fofura em desejo e experiência – isso porque a principal diferença está no acabamento das embalagens e nos materiais que são utilizados, que elevam os produtos a um status mais de colecionáveis, afastando a percepção de que infantil e de brinquedo.
É esse equilíbrio e essa “sofisticação da fofura” que tornou a K-Beauty um grande exemplo de como a inovação e o fofo conseguem andar juntos e, melhor que isso, conseguem impactar a vida das pessoas. Muitas marcas dessa área, sejam elas nacionais ou internacionais, se inspiram nos produtos sul-coreanos justamente por conta da sua inovação e dessa abordagem diferente em relação ao público.
Todos esses exemplos só mostram que a Kawaii, além de uma linguagem visual, se tornou um código cultural e comercial muito poderoso, capaz de influenciar desde a cultura pop até o mercado de beleza. Entender melhor essa estética é essencial para seguir essa tendência e acompanhar comportamentos, podendo assim criar experiências e gerar uma conexão mais genuína com dos produtos com as pessoas.