A chegada de uma nova geração, naturalmente, sempre marca a ruptura com o antigo e o nascimento de novas tendências. Acontece que a Gen Z está levando essa diferenciação a um nível que não tínhamos visto ainda: segundo relatório conduzido pela consultoria MindMiners e dados do Relatório Covitel, de 2023, pela primeira vez na história, uma geração mais jovem bebe menos do que a sua geração anterior – e isso reflete diretamente em uma espécie de batalha contra as baladas.

De acordo com o The Guardian, metade das casas noturnas do Reino Unido fechou as portas nos últimos 12 anos. O motivo? Falta de público. E nem precisamos ir tão longe para tirar a prova real desse fenômeno. Muitas baladas consagradas encerraram suas atividades aqui em Curitiba no mesmo período, como a Shed e a Woods. 

Mas não é só o fato dos jovens estarem bebendo menos que contribuiu para esse cenário. A palavra-chave para entender esse movimento é Wellness, uma tendência que se popularizou rapidamente entre os zoomers e que é pautada pela valorização do bem estar físico e mental. Pegar fila de madrugada para ouvir som alto e ter gente esbarrando em você o tempo todo? Não, obrigada. Prefiro acordar cedo para correr e tomar um café com meus amigos – de preferência em um lugar onde a potência obscena dos decibéis não me impede de ouvir o que meu amigo está falando. 

É meio óbvio perceber que a adoção de hábitos mais saudáveis também impacta nos padrões de consumo. Frequentar cafeterias saudáveis que servem um latte atrás do outro (e que quase sempre são mais baratos do que os combos vendidos nas baladas), comprar produtos de marcas veganas e que não fazem testes em animais, acompanhar influenciadores fitness no Instagram… Estamos falando com uma geração que faz questão que seu dinheiro financie só aquilo que faz sentido pra sua rotina e pro seu estilo de vida. 

Esses novos hábitos da juventude, além de representarem um importante sinal de maturidade pessoal, também demonstram o poder da Gen Z de romper com tendências de comportamento que pareciam sedimentadas. Entender o propósito de uma geração que se mostra cada vez mais exigente é a pedra fundamental para conquistar a atenção dos Zoomers e garantir que sua marca não vai ser atropelada pela locomotiva vegana e movida a Matcha que tem arrasado baladas mundo afora. 

Provavelmente você já entrou em algum teatro e, se não, pelo menos em um cinema. Falando como atriz formada, eu diria que o teatro não é um mercado fácil e nem justo. Mas, falando como pessoa, sei que ele é capaz de transformar vidas.

Eu devia ter uns 4 anos na primeira vez que assisti uma peça. Era algo sobre as princesas da Disney. Mesmo sendo inteligente (para uma criança de 4 anos), eu tinha certeza absoluta de que as princesas estavam ali na minha frente mesmo, porque é isso que a magia do teatro faz com a gente: nos permite acreditar.

Somos completamente capturados, seja em um bom ou em um mal sentido, e impactados para sempre. Nem sempre ele é algo encantador ou engraçado: o teatro também é capaz de mostrar o lado sombrio das coisas. Tem uma coisa que eu sempre dizia antes de entrar no palco: “se eu impactar alguém aqui, meu trabalho está feito”.

A arte ensina, mostra realidades diferentes e conscientiza sobre temas difíceis: é essa forma de encarar o mundo que a torna tão especial. Por muito tempo, eu me escondi na arte, até que ela me obrigou a me encontrar. Quando eu não tinha mais pra onde correr no terceiro ano do meu ensino médio, precisei escolher um curso para o vestibular e, por causa da arte, eu só sabia que eu queria trabalhar criando alguma coisa. Eu gosto de escrever, então primeiro pensei em fazer Jornalismo. Mas me encontrei mesmo no curso do lado.

Mas o que teatro tem a ver isso? Bom, para mim, literalmente tudo. Foi ele que me levou até o curso de Publicidade e Propaganda, e consequentemente, até meu estágio aqui na Almanaque. Eu sempre fui grata a arte, sempre imaginei que ela poderia me levar pra muitos lugares, mas, por incrível que pareça, não até aqui, no meu primeiro emprego. Devia ter acreditado mais, igualzinho aquela menina de 4 anos quando viu as princesas entrando no palco.

Eu vou começar esse texto confessando que eu conheci Washington Olivetto por acaso. Entrei na faculdade de publicidade com alguma leve noção sobre a sua existência, de já ter ouvido seu nome em algum lugar, mas foi só quando ganhei um livro chamado “Na Toca dos Leões”, uma biografia da W/Brasil escrita pelo Fernando Morais (aliás, qual é a chance de uma biografia não ter sido escrita pelo Fernando Morais?).

Achei que seria um livro meio sério, falando sobre questões mais técnicas sobre o dia a dia da agências, mas no final a verdade é que eu acabei ficando um tanto quanto obcecada pelo Washington. Para além do lado profissional, um redator como eu, o que me encantou muito, aquilo que me conquistou mesmo, foi a autenticidade que ele irradiava. 

De cara eu simpatizei com o fato de ele ser corinthiano, assim como eu, e também adorei saber que ele se vestia de um jeito meio extravagante, com uns sapatos chiques, ternos e camisas listradas, independente que achavam do seu estilo. Não preciso nem dizer como isso mostra que ele era um cara que não abria mão dos seus ideais: não aceitou fazer nenhuma campanha política em toda a sua carreira, por exemplo, independente do valor que pagassem e do partido que o procurasse.

Ao poucos eu comecei a me sentir íntima dele, de uma pessoa que eu praticamente só conhecia por meio das páginas que virava uma atrás da outra, ao ponto de sofrer de verdade na parte que o livro conta sobre o sequestro que ele sofreu, em 2001. Quando ele foi resgatado, depois de 53 dias, a primeira frase que saiu da sua boca foi: “sou eu, Washington, corinthiano!”. É impossível ser mais autêntico do que isso.

São esses detalhes sobre a vida do Washington como pessoa que tornavam o trabalho do Washington publicitário tão genial. Eu acredito que nunca mais vai existir ninguém com tanto tato como esse homem, alguém de tornar a publicidade tão íntima e conquistadora.

E eu sei que tem muita gente, todas mais velhas que eu, que consideram que ele foi um cara muito metido ou arrogante, mas eu não consigo ver nada disso, porque sinto que ele tinha o direito de ser o quanto arrogante quisesse. E aproveito para trazer outra confissão: estou sofrendo nesse exato momento, porque ainda não é fácil falar de Washington no passado.

Mas sei que ele continua vivo em inúmeros comerciais, prêmios e no legado que deixa. Para mim, esse homem será pra sempre a prova de que o brasileiro pode fazer coisas muito grandes, e que ninguém é capaz de copiar a nossa criatividade.

Confesso que acho o máximo o maior publicitário do meu país ter sido um redator, porque escrever e criar sempre foi meu sonho. Olhar pra figura dele me mostra que é possível ser grande fazendo o que eu amo, independente (ou apesar?) das dificuldades. Se ele conseguiu, eu também consigo deixar a minha marca. Afinal, “sou eu, Isabela, corinthiana!“.